A arte cômica, amplamente divulgada e até mesmo valorizada por grande parte da população brasileira, depara-se inúmeras vezes com situações em que a comédia passa do limite burlesco, ou seja, torna uma piada em agressão mental.
O humor racial, liberalizadamente praticado no passado pós-ditatorial, já possui grandes barreiras e, se for cultuado, demanda de cuidados para não denegrir ou ridicularizar supostos alvos de um humor que, inconscientemente ou não, transcende os limites da comédia para a crítica. Exemplo explícito disso é a comédia, ainda freqüente, enfocando o afro-descendente como motivo de sátira.
A constante busca pela homogeneidade, principalmente no que se refere a deficientes físicos ou mentais, um dos princípios da globalização, representa uma parcela da sociedade que, por possuir algum tipo de transtorno ou deficiência, demanda de atenção especial. Desse modo, o trocadilho apresentado no programa “Casa dos Autistas”, pelo grupo comédia MTV, vai contra essa igualdade preconizada, tendo como conseqüência a própria desvalorização do principal objetivo cômico, que se acredita ser a intenção de gerar risos e momentos alegres.
A comédia está presente em todas as emissoras de comunicação, peças teatrais, enfim, está na “boca do povo”, portanto, é perceptível a necessidade de limites por parte dos humoristas ao tornar público atitudes que venham a agredir determinadas classes sociais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário